Importações de madeira serrada tropical à UE cresceram 14%

armazem madeira serrada

Foto: IBFlorestas.org.br



Os números mais recentes do Eurostat (Gabinete de Estatísticas da União Europeia) para importações de madeira tropical analisadas pela OIMT (Organização Internacional da Madeira Tropical) e pelo IMM (Independent Market Monitor) confirmam os relatórios empresariais quanto a um forte início do comércio em 2019.

O total das importações de madeira serrada tropical à UE, entre janeiro e maio, superaram em 13,9% os números de 2018, com 405.000 toneladas. O maior volume de aumento, entre janeiro e maio, veio da Bélgica, com um forte salto nas importações do Brasil, levando o seu total para 134.000 toneladas.

As importações para a França subiram 14,6% (para 50.000 toneladas), e as para a Espanha, 26,1% (para 35.000 toneladas). Provavelmente devido ao aumento em compras antecipadas para a data antecipada do Brexit (saída do Reino Unido da União Europeia), originalmente prevista para o dia 29 de março, as importações ao Reino Unido ultrapassaram 18,1% (para 25.000 toneladas).

De acordo com os dados do Eurostat, as importações, para Portugal, de madeira serrada tropical no período de janeiro a maio cresceram 72,5% (para 17.000 toneladas), e as à Dinamarca subiram 16% (para 11.000 toneladas), enquanto as à Irlanda, mais que dobraram para 6.500 toneladas.

Curiosamente, houve um aumento de 77% (para 4.200 toneladas) nas importações de madeira tropical à Grécia. Esses dados confirmam os relatórios da federação de comércio de madeira desse país, a HTCA, de que a sua indústria começou a ver os primeiros sinais de recuperação da recessão, apoiados por uma melhora no turismo que levou a mais construção e renovação de hotéis, e a investimentos imobiliários para o interior, incentivados pelo programa governamental de vistos, conhecido como “golden visa”.

As importações aos Países Baixos caíram 7% (para 77.000 toneladas), enquanto as à Itália, diminuíram 6,4% (para 29.000 toneladas) e as à Alemanha tiveram uma queda de 4,1% (para 11.000 toneladas). Os principais exportadores de madeira serrada tropical à UE nos primeiros cinco meses foram o Brasil, que ultrapassou o Cameroun como o principal fornecedor com os respectivos totais de 132.000 e 115.000 toneladas, marcando aumentos de 43,1% e 18,2%, seguidos pelo Gabão, que viu as suas exportações à UE crescerem 10,9% (para 49.000 toneladas), e a Malásia, que sentiu uma queda de 29% (36.000 toneladas).

Questões foram levantadas quanto ao aumento das importações, à UE, de madeira serrada tropical brasileira nos primeiros cinco meses de 2019, que incluíram um crescimento de 29% aos Países Baixos (para 41.760 toneladas), um salto de 116% em vendas à Bélgica (para 25.702 toneladas), mais um aumento de 46% em importações pela França (para 21.031 toneladas), um crescimento de 9% à Espanha (para 19.741 toneladas) e um aumento de 103% a Portugal (para 8.433 toneladas).

Um grande importador na Bélgica informou que o aumento de importações à Bélgica pode ter resultado de outros operadores europeus que trazem madeira serrada folhosa brasileira através do Porto de Antuérpia para encaminhar essa carga para outros países da UE, principalmente à Alemanha e ao Reino Unido. Flutuações cambiais podem ter sido outro motivo para tal, uma vez que o Real enfraqueceu-se 36% face ao Euro, entre fevereiro de 2017 e o fim de 2018, bem como estabilizou-se no nível mais baixo neste ano.

Um importador atribui, parcialmente, a baixa nas importações da Malásia a uma menor disponibilidade de madeira certificada PEFC, resultante de maiores ‘restrições normativas’ pela organização certificadora.

Importações do Congo à UE subiram 42% nos primeiros cinco meses, com um crescimento de 95% à Bélgica (para 11.428 toneladas), um aumento de 25% ao Reino Unido (para 4.780 toneladas) e aumentos de 29% e 10%, respectivamente à França e aos Países Baixos (para 3.120 e 1.491 toneladas).

Houve grandes aumentos nas importações do Cameroun à Espanha, com uma alta de 94% (em 11.573 toneladas), aos Países Baixos, com uma alta de 137% (em 9.671 toneladas), ao Reino Unido, com uma alta de 20% (em 7.581 toneladas), à Irlanda, com uma alta de 147% (em 6.222 toneladas), e Portugal, com um aumento de 98% (para 3.934 toneladas). As importações belgas subiram 1% (para 48.198 toneladas), enquanto as italianas caíram 8% (para 12.092 toneladas) e as francesas 11% (para 11.524 toneladas).

O aumento nas importações do Gabão à UE, nos primeiros 5 meses de 2019 foram responsáveis por um aumento de 25% nas compras belgas (para 35.727 toneladas), enquanto as importações italianas caíram 23% (para 6.179 toneladas) e as francesas, 10% (para 3.887 toneladas).

As importações do Gana à UE subiram 13,6% (para 7.000 toneladas), apesar de quedas de 4%, 8% e 21% nas vendas à Alemanha, Bélgica e ao Reino Unido, respectivamente. As notícias mais positivas vêm do Gana quanto à implementação do seu Acordo de Parceria Voluntária (VPA) da FLEGT (aplicação da lei, governança e comércio de produtos florestais) e à perspectiva de ele iniciar o licenciamento FLEGT, que foram recebidas com certo ceticismo no setor de importação da UE. Contudo, alguns comerciantes disseram que, caso Gana se tornasse o segundo país a alcançar o estágio de licenciamento, isso poderia aumentar o impulso por uma iniciativa mais ampla de VPA da FLEGT e, potencialmente, fortalecer exportações de móveis e componentes de madeira de teca do Gana à UE.


Adaptação e Tradução: Adriano Fonseca (Vice-Presidente da CCBP-PR)

Leia a matéria completa no site da International Tropical Timber Organization JORNAL MUNDO AO MINUTO.

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